Neste site você irá encontrar textos e informações sobre psicologia, terapia familiar, terapia de casal, psicoterapia individual e, também, algumas dicas, de psicólogos florianópolis, relacionadas ao cuidado de si e dos outros.
A idéia deste site é ser um ponto de contato e apoio sem entrar em questões propriamente terapêuticas e devem ser conduzidas no consultório de psicologia clínica.
Terapia familiar: os trabalhos terapêuticos dos psicólogos aborda todos os envolvidos e em muitos casos são convidadas outras pessoas participantes dos problemas. A terapia de casal é conduzida somente com o par. Na terapia individual o foco está no indivíduo e há a possibilidade de convidar, em algum momento especial, uma outra pessoa.
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Qual terapia - familiar, casal ou individual?
Eu não estou louco!
Terapia familiar e conjugal na separação - psicologia
A separação e os filhos - sobretudo nos casos de litígio
Limites na relação pais - filhos psicólogo florianópolis
As drogas, a alucinação e o sofrimento da família
As doenças crônicas e a terapia familiar
Atividades em terapia de família e casal - famílias com filhos
Terapia de família e a atenção aos filhos - psicólogos florianópolis
O fazer terapia e os terapeutas
Temas ligados a terapia familiar e terapia de casal
Textos em terapia familiar e conjugal - referências bibliográficas
Endereço do consultório de psicologia clínica em Florianópolis
espumantes e champagnes melhor vinho para comemorações dos casais
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Terapeuta familiar, de casal e individual - Consultório de Psicologia Clínica de Psicólogos em Florianópolis -
As atividades de terapia sistêmica> terapia familiar, terapia de casal ou psicoterapia - atendimento psicológico individual, família, casal ou grupo, desenvolvidas no consultório de Florianópolis - Santa Catarina, podem ser contatadas via telefone ou e-mail visite a página de contato.php.
Terapia ou Psicoterapia possível
Sempre admiro a coragem das pessoas, casal ou família ao iniciarem um processo terapêutico. O pedido de ajuda por si já configura a nova postura perante aos problemas inerentes à vida e o desejo de mudar utilizando da terapia familiar, terapia de casal ou terapia individual deve ser valorizado. Muitos expressam prontamente seus medos e angústias, outros demoram um pouco mais, o simples fato de compartilharem seus problemas com um terceiro (um(a) terapeuta) já é um grande passo.
A terapia nem sempre pode ser vista num contínuo de melhoras, ela também induz a crises, pois invariavelmente: toda mudança gera um conflito e todo conflito gera mudança. Desta forma fica um pouco mais claro no papel das crises e conflitos durante a terapia em promover as mudanças.
Alguns autores da psicologia e terapia familiar sistêmica, a saber: Salvador Minuchin, Murray Bowen, Maurizio Andolfi, entre outros, colocam a idéia da terapia para indução de crises e exemplifica casamentos mortos ou cronicamente insatisfatórios, a saída abalar este morno e passivo conviver, em outras palavras: crise. Um momento ideal de parar e repensar as disponibilidades de reconfiguração.
Nesta concepção psicológica se depreende a terapia induzindo novas crises, diferindo dos meios de controlar o comportamento e evitar crises.
Esta provocativa e interessante idéia remonta, inclusive, a própria idéia da palavra crise ligada ao momento de mudança. Assim, a terapia pode se transformar num agente de auxílio e atingir novos patamares de compreensão e estes trazem modificações nos hábitos e costumes, saindo do desânimo, estagnação, opressão, vazio, irritação, raiva, crise etc..
Juntamente a psicologia e as psicoterapias há outros tratamentos como a medicação devidamente acompanhada por psiquiatra, as fisioterapias e as terapias ocupacionais. No tratamento as associações trazem benefícios, embora demandem do paciente (indivíduo, família, casal) maior dedicação e empenho.
A terapia sistêmica familiar e a atenção aos filhos
A atenção aos filhos / crianças seja em casa ou na escola é um ponto fundamental de um bom desenvolvimento infantil, pouco pode se dizer quanto
à prevenção, do tipo: se as crianças tratadas nos consultórios de psicologia serão adolescentes livres de conflito e longe da alucinação das drogas? - o
grande medo paterno. A impossibilidade de determinação do futuro coloca um entrave nas atividades preventivas, embora um tratamento psicoterapêutico auxilia na melhora da comunicação e um melhor relacionamento entre crianças - educadores e pais - filhos e esta melhor capacidade de comunicação trará um possível benefício na educação e adolescência.
A comunicação é um hábito a ser exercitado desde a mais tenra idade.
As atividades de psicologia em terapia familiar e terapia de casal de psicógos em florianópolis
As atividades de psicologia em terapia familiar, terapia de casal e terapia individual e psicoterapia são executadas por profissionais habilitados, médicos e psicólogos, devidamente cadastrados em seus conselhos profissionais, no caso dos psicólogos no Conselho Regional de Psicologia - CRP.
Tal prática visa manter a qualidade dos atendimentos em saúde mental seja nos casos de: depressão, atenção, hiperatividade, ansiedade, conflitos e brigas de casal, ciclo de vida familiar (filhos pequenos, adolescência, casamento, ninho vazio, aposentadoria...), conflitos familiares, problemas de consumo de drogas, limites na educação dos filhos, levando em consideração a posição das mulheres na sociedade, problemas de doenças na família sobretudo as crônicas: depressão, câncer, uso de drogas, a alucinação diabete, obesidade, obesidade infantil etc.
Endereço do consultório de terapia familiar, terapia de casal e individual
Endereço do Consultório de Psicologia Florianópolis
R. Presidente Coutinho, 311
Sala B 308 - Edifício Saint James - Florianópolis - Santa Catarina - 88015-230
Tel: (48) 3025 5699
A entrevista inicial e/ou consulta pode ser agendada por telefone ou e-mail.
Temas ligados à terapia familiar sistêmica e a terapia de casal
Atendimento, atenção à família, atendimento familiar e também de casal - problemas na conjugalidade
Mudanças naturais do ciclo de vida familiar (desenvolvimento infantil, fases da adolescências, casamento, o lar (ninho) vazio, aposentadoria ...)
Drogadicção / usuário de drogas
Brigas / conflitos na família e casal
conjugal - maridos e mulheres - conflito no casamento - interesse no sexo - medo - raiva - amante
Violência doméstica / abuso sexual / violência na família ( violência familiar )
Rendimento escolar / profissional (desânimo falta de coragem)
Ansiedade e Hiperatividade (deficit de atenção) da criança
Falta de limites: filhos ou crianças na escola
Perdas e lutos: desânimo, falta de prespectiva, estagnação, irritação
Conflito no casamento
Separação judicial litigiosa ou consensual e divórcio ( ex-marido e ex-mulher nunca ex-pai e ex-mãe ) mediação
Casos de divórcio litigioso, violência, alienação parental, opressão, crise
Doença crônica na família (depressão, drogas, anorexia, bulimia, obesidade mórbida - indicação de cirurgia bariátrica, etc.)
Mudanças naturais no ciclo de vida: nascimentos, adolescência, casamentos, aposentadoria, terceira idade.
Textos e referências
Psicologia e terapia familiar sistêmica
naveção no site de terapia familiar e de casal
endereço, telefone e e-mail de contato
consultório de psicologia em florianópolis como chegar
sumário dos textos sobre terapia e psicologia
constituição do casal e o conflito conjugal
psicologia os conflitos e os sonhos
definições de psicologia
a terapia e apoio nas doenças crônicas na família
drogadicção - uso de drogas apoio familiar
eu não estou louco para precisar de terapia
os filhos, a família e a escolha profissional
relacionamento e limites pais filhos
psicologia e mediação na separação judicial litigiosa
aspectos sistêmicos da separação
a psicologia e a terapia como oficina de alternativas
qual terapia escolher? psiclogia clínica
o casal e o nascimento do primeiro filho
separação com filhos evitando trauma e sofrimento
o papel da mulher nos casamentos
da velha à nova família - do moderno ao pós-moderno
papel pai com o primeiro filho
casamentos e separações
Telefones de instituições voltadas a dependência química
Os filhos, sejam crianças ou jovens, nos conflitos da separação: prevenção infantil.
No cotidiano conjugal, o casal apresenta muita dificuldade de concretizar a separação e administrar a vida pós-separação. Os filhos percebem os problemas de convívio do casal (os problemas de discutir a relação) e muito freqüentemente relatam o alívio quando a separação se consuma e as brigas conjugais cessam.
A participação nas mudanças é fundamental a medida se relaciona à capacidade dos cuidadores em esterem presentes. O extremo está na violência física e/ou psicológica é o próprio sintoma da falta de limite entre pais e filhos e destes maltratos se atinge as raias do abuso e violência doméstica as crianças devem ser preservadas, no intento de manter um bom desenvolvimento na infância. Tais medidas atenuam os conflitos nas crianças e certamente ajuda a administra-los melhor seja na revelação e nos momentos de raiva, resignação, saudades e carência.
A coerência e a demonstração emocional parental deve ser incentivada: se está triste, mostre-se sem medo e converse a respeito à criança. As crianças muito pequenas de compreenderem as conversas, mesmo um bebê de colo, transmitindo seus sentimentos, tal ação gera segurança e tranqüilidade. Assim, a criança pode compreender melhor os acontecimentos e, de quebra, aprende a conversar de seus sentimentos e tem sua percepção confirmada.
obs: a própria expressão laço conjugal é interessante: o laço tanto pode estar frouxo quanto apertado, se o laço conjugal permite mobilidade as brigas são mais tênues e se apertado acirram-se os conflitos e brigas.
Terapia de casal: laço conjugal - união - matrimônio
Os conflitos conjugais variam a ampla gama de questões comunicacionais, culturais, econômicas, sociais, profissionais, relacionais, familiares, sexuais, intrapsíquicas, etc. A Psicologia ao estudar a conjugalidade a observação de Prado (2004) sobre as separações reforça esta idéia de indeterminação: "as pessoas podem ser realmente conhecidas pelo modo de lidarem as separações". Os mais calmos podem se tornar coléricos, os rígidos podem se mostrar flexíveis, não há regra ou previsão possível das reações durante a união ou processo de separação.
Esta convivência com a multiplicidade difere da idéia de par ideal ou receita de sucesso matrimonial e atualmente os trabalhos se voltam aos aspectos relacionais do casal proporcionam a união ou a separação do par.
Como unir o que não foi separado!
Num relance parece óbvio mas numa segunda olhadela a objetividade se esmaece. A qualidade da união depende das várias separações e, certamente, os aprendizados do novo casal. Por exemplo: a filha sem "autorização" de emancipação, sempre a menininha do papai ou da mamãe. Num caso como este, a separação da família não foi consumada e o futuro parceiro terá de se abter da relação filha-pais e se contentar como co-adjuvante da relação principal.
A oportunidade de um novo relacionamento integro e demanda a separação anterior, seja da família do ex-namorado, ex-marido, ex-esposa, etc.
Portanto, as testemunhas da história de sucessos e fracassos do outro representam parte da própria identidade, ao se separar não se perde só o outro se perde o próprio eu. É realmente difícil aprender a superar os traumas em relação ao rompimento de um relacionamento amoroso, sobretudo se de longa data.
Muitas situações demandam do novo casal um aprendizado das lacunas do outro, alguns aprendem sozinhos e outros precisam de ajuda.
As decisões quanto a nova união implicam em, de certa forma, se despedir dos antigos vínculos, nesta fase há desamparo e sentimentos ambivalentes, abalando a confiança e as tentativas de objetivação do problema tendem a incrementar a crise - um período para chorar a perda. Após este período as novas fronteiras estão mais nítidas e já se pode tentar mesclar antigas e novas experiências.
Certamente este aprendizado é mais fácil quando há amor, carinho, companheirismo, etc., auxiliam e fortalecem o casal, permitindo ultrapassar com maior facilidade os pontos negativos e/ou dificuldades. Este aprendizado de contato intimo, de se mostrarem mutuamente como verdadeiramente são.
Neste caso não importa a apresentação social, pois ao manterem a "unidade" provavelmente terão forças à cooperação, independência, crescimento e emancipação.
Um dos sintomas mais característicos nos relacionamentos (família, casal, etc.) é a falta de transparência e maleabilidade nas regras e a impossibilidade de troca nos papéis. Tudo é muito certinho e todos sabem exatamente se comportar. Independentemente do tipo, os papéis são extremamente definidos e rígidos, pode ser brincalhão, irreverente, ranzinza, zangado, atrapalhado, sedutor, etc., e as mudanças são acompanhadas de grandes discussões e atuações.
Assim, quando "cada um se depara", durante a terapia de casal ou mesmo familiar, com suas crenças, mitos, verdades e histórias, abre-se as possibilidades de falarem sobre as suas impossibilidades e, portanto, a desenvolverem intimidade e cumplicidade, denotando o próprio conceito de casal.
Nas épocas de crise é muito comum o resgate as suas verdades fundamentais e nestas encontramos a força das idéias passadas tanto pela cultura da sociedade, inserida nos conflitos do próprio núcleo familiar. Difundida pela América-latina o fatalismo: no qual a própria ação do sujeito não poderá modificar o seu destino. O paciente se exime da responsabilidade e não deseja ir adiante.
Esta resistência inicial deve ser trabalhada com a devida calma, pois as muitas verdades estão firmemente arraigadas e os estruturantes da pessoa não podem ser de pronto desconstruído.
Esta desconstrução não ocorre somente nos ambientes terapêuticos, a própria formação do casal e até mesmo as mudanças sociais implicam numa série de mudanças, por exemplo: no casal à necessidade de ceder às vontades e demandas do outro e na sociedade às constantes e novas exigências profissionais.
A segurança aos novos relacionamentos ocorre após o rompimento com as verdades há muito perpetuadas, fontes dos próprios medos e angústias, impossibilitam as novos relacionamentos.
Sinal de alerta: pensar numa terapia familiar ou terapia de casal?
As brigas e conflitos sejam da família ou do casal podem ser consideradas um ajuste necessário ou motivador para iniciar um processo terapêutico.
Para a Psicologia a terapia sistêmica nos casos familiares e de casais focaliza seu trabalho nas inter-relações e se o sistema (seja família ou casal) pode gerar outras alternativas e modos de se relacionarem.
Abaixo estão listados alguns indicadores típicos de problemas a serem abordados durante o processo terapêutico seja familiar, casal ou individual:
·A falta de entendimento nos vários temas, no qual as discussões e brigas parecem há muito só agravam a situação gerando desânimo, preocupação, estagnação familiar, irritação, raiva, um ambiente de eterna crise etc..
·As crianças podem se mostrar: poderosas, apáticas, irritadas ou se acidentam freqüentemente.
· Em casa ninguém se importa com ninguém e só falam das coisas ruins do outro, sobretudo num tom acusatório.
·No casal a diminuição da cumplicidade, do desejo sexual, do romance e as trocas de idéias, sonhos e sentimentos não ocorrem mais.
·O casal não tem condições de conversar sobre sua sexualidade, não tem no sexo fonte de prazer e intimidade e assim abrem margem para as desconfianças e cobranças, estratégias de não conversarem sobre questões intimas.
·Não há diversão conjunta e parece houve perda da espontaneidade, sobretudo quando estão juntos, é melhor estar com outras pessoas, evitando a própria família ou o companheiro(a).
· Todos se evitam: os filhos estão sempre nos amigos e ele(a) fica mais tempo na casa dos país.
Entrevista sobre casal & relacionamento: o meu, o teu e o nosso projeto de vida
1) é importante fazer planos juntos envolvendo a carreira?
"o meu, o teu e o nosso: plano"
Um plano só se torna possível quando considera todos os envolvidos? A resposta é: sim. O casal precisa fazer planos conjuntos, considerando o futuro de cada um juntamente com o futuro do casal. Um exercício difícil, mas muito recompensador. Mas, não pode ser conduzido como um exercício acadêmico, projeto1 aqui, projeto2 ali etc, pois há um componente facilitador e não diretamente mensuravel: "o desejo de se doar para o bem outro", muitas vezes é dito com uma única palavra: "amor".
Um precisa trabalhar, o outro precisa terminar a pós-graduação e o casal precisa terminar de plantar os temperos na floreira da sacada. Todos os elementos tem seu espaço e devem acomodar possibilidades dos demais.
Também posso imaginar sua questão caminhando pela indagação: se um tem uma carreira o outro deve abrir mão de seus planos?
Quando o casal está realmente comprometido um com outro, sempre há possibilidades de uma solução contemplar aos dois. Há alguns anos atendi um casal em crise, ele alegava o abandono de seus planos para acompanhar a esposa em sua jornada profissional e ela alegava o distanciamento emocional dele. Com o processo terapêutico eles puderam ver a mudança de cidade como um pontencializador de outros desencontros existentes. Acertado o problema do casal, ele refez seus planos adequando-os a nova e temporária situação. Passados uns três anos eles me enviaram um email contanto sobre a mudança de cidade e os investimentos por ele realizado em estudos, durante o período de "espera", possibilitaram aos dois terem boas carreiras. Portanto, as situações são transitórias, mas podem se tornar crônicas, caso alguns hábitos ou situações não sejam acertados.
2) Como evitar brigas do tipo "quem ganha mais" ou "quem vai pagar a conta"?
Como lhe escrevi rapidamente enquanto combinávamos essa entrevista:
"um verdadeiro casal difere de "ficantes"... no casal o projeto comum e a vontade de estarem e construírem juntos é espontânea e natural. Toda vez as reclamações aparececiam num tom contratual, como se fosse uma organização societária, então há outros problemas com o dito casal."
Pensei nesta tua questão e me ocorre é a deturpação da idéia de casal, pois um deveria ficar feliz pela conquista do outro e se isso não ocorre é necessário investigar de forma detalhada como tal impossibilidade se sustenta. Pra que se destruírem?
No próprio texto do Código Civil a idéia do casal usufruir igualmente da conquista conjunta, independentemente se um ficou em casa e o outro saiu para trabalhar. Eu gosto deste termo "conquista", pois me remete a ambos lutando juntos, se apoiando e um dando força ao outro, são cúmplices... e, portanto, o ciúmes implícito na formulação da questão somente me alerta para um sintoma de outros problemas.
3) Muitos homens ainda tem aquele sentimento de que "a mulher deve cuidar da casa". Como contornar essa situação?
As décadas passam rápido, mais de vinte anos passaram em que ouvi a frase: "mulher minha não trabalha fora e filha minha não pode ir à praia mostrar as "carne"!" Era de um lavrador que tinha recém vindo do campo, estava sofrendo um terrível choque cultural com a cidade praiana. Salvo esse particular episódio os demais casais se mostram abertos para o compartilhamento das atividades domésticas.
Talvez seja mal de consultório e pouca vivência em outros redutos culturais deste "Brasil de mil brasis", mas há muito tempo não me deparo com tais homens. Os homens atuaisestão e são mais abertos para os arranjos domésticos. Até aparecem casais no qual a reclamação se aproxima a tua questão, mas dentro de uma situação outros conflitos, geralmente cessado o conflito, reconhecidos e amparados os "sentimentos", ambos passam a cuidar da casa.
Como contornar? Informação, educação e um local para ele/ela falarem e ouvirem sem restrições ou preconceitos. E lembrar: "todo conflito causa uma mudança e toda mudança causa um conflito".
4) Mulheres em ocupam cargos altos em empresas estão ficando mais "mandonas" no relacionamento, pois passam a assertividade do trabalho para o namoro. Como resolver essa situação?
Tal situação deve ser examinada em mais detalhes, pois assertividade é uma característica muito boa. Na primeira leitura de tua questão me pareceu a assertividade incompatível com namoro e sensibilidade?!
A possibilidade de ganhar seu próprio dinheiro, mesmo num cargo sem destaque social já constitui contribuição para a elevação da auto-estima; tristes eram os tempos do homem provedor e a mulher a do lar. Há alguns redutos institucionais mantenedores dessa lógica, como as Varas de Família no qual mais de 85% das guardas ainda são delegadas exclusivamente as mães sem ao menos ver detalhadamente as condições dos pais.
Como resolver? Certamente um caminho é o bom e velho diálogo.
Quando você utilizou o termo "mandona" me fez lembrar um caso de uns 9 anos atrás. Ela trabalhava e o marido fazia tudo em casa, inclusive cuidava do filho ainda bebê e do outro com dois anos. O casal não se amava e a separação foi inevitável. Na audiência ele, para não criar um conflito maior, concordou com a guarda dela. Imediatamente após a audiência ela retirou os filhos da escola particular, de meio período, e os colocou numa creche pública de período integral e com o dinheiro da pensão dos filhos comprou um carro novo. Passados alguns anos o filho menor sentido falta do pai manifestou sua rebeldia, a mãe rapidamente "arrumou" um médico para receitar um medicamento para "acalmar" a criança e ela pode voltar a trabalhar em paz, com o filho menor "dopado" na creche. Mesmo passados muitos anos esse caso ainda me faz pensar na impossibilidade individual e quanto difere de uma positiva assertividade.
5) Os parceiros terem independência financeira não quer dizer que também devem ser independentes no sentimento. É verdade que os casais "bem sucedidos" acabam sendo mais frios? Como consertar isso?
Não saberia como consertar, mas também não considero tal assertiva verdadeira, pois o amor se expressa nas mais variadas formas. Para refletir leia a frase a seguir: Nos casais bem sucedidos há um intenso apoio de um para com o outro em todos os âmbitos da relação.
A frase lhe fez sentido? É lógica e adequada? A idéia é da sinergia, no qual o conjunto é maior que a soma de cada componente separado e comumente está presente nas verdadeiras relações. O casal se une e juntos realizam mais do que cada qual faria separadamente.
Também posso imaginar a tua questão transitando pelos muitos compromissos impingidos pelas "carreiras" de um ou de ambos; e neste caso a lógica seria: "que o menor tempo conjunto é o "preço" pelo sucesso!"
Tempo não significa intensidade e/ou qualidade. Há alguna anos atrás um casal me procurou, na reclamação dela ele a "colocava na gaveta", achei bem interessante a expressão! De fato, um namoro no qual ela estava fora de qualquer dimensão da vida dele, ela resumia como nos encontramos para sexo e nada mais. Os encontros eram de algumas horas por semana e ele a descartava de qualquer evento familiar, amigos, festas... Neste sentido ela utilizava o termo "gaveta", tratadas as impossibilidades dele incluir mais alguém em sua vida, o casal começou se ajustar. Atualmente, o tempo deles continua escasso, mas os dois apresentam uma ótima relação, pois ela se sente reconhecida e incluída.
6) Como deixar claro que você quer manter projetos individuais? E como tocá-los sem esquecer ou deixar de apoiar o parceiro?
A tua forma de expressão está ótima: "eu quero fazer tal e tal projeto e como nós podemos fazer para incluir essa minha vontade em nossa vida?"
O casal não pode ser reduzido a projetos. O casal não é uma organização societária.
Os muitos desencontros e mágoas acumulados acabam por criar alguns entraves na relação e impossibilita um ou ambos de expressarem claramente seus sentimentos, desejos e planos. Como já explanei nas questões anteriores, se é um casal ou família os projetos devem incluir todos os envolvidos. Levar um projeto a termo depende, necessariamente, da boa inclusão de todos os envolvidos, ou seja, qualquer esquecimento não corrigido e verdadeiramente desculpado irá penalizar o projeto, a relação ou ambos.
Terapia familiar ou individual? ou ainda Terapia de casal?
É muito difícil saber qual terapia escolher e as pessoas, geralmente, nem conhecem as possibilidades existentes na Psicologia. Sem entrar no mérito específico das linhas teóricas apresento duas posições diretamente relacionadas ao enfoque da terapia familiar sistêmica.
Partindo da idéia: a mudança de um vai afetar todos os entes próximos a ela, podemos pensar as poucas diferenças entre a decisão de se fazer terapia familiar, individual ou de casal.
Por outro lado, considerando os padrões de conduta mantidos e reforçados pelo grupo e se este se modifica, então, podemos imaginar maior possibilidade das pequenas mudanças de cada elemento sejam agregadas, obtendo resultante mais expressiva, muito embora não signifique dizer melhores ou mais rápidas, pois cada pessoa ou grupo possui características muito particulares de funcionamento.
Outra questão de difícil resolução é quanto a decisão de se fazer terapia familiar ou terapia de casal. Há divergências entre os teóricos no seguinte sentido, com filhos pequenos a tendência é considerar os problemas decorrentes da dinâmica estabelecida pelo casal e, portanto, alguns terapeutas preferem atender diretamente o casal. E há a possibilidade de iniciar com terapia de família e depois definir se é um caso familiar ou conjugal. Mesmo os casos tendenciosos a determinada posição (individual, casal ou família) não podem ser subestimados e demandam análise da dinâmica familiar no sentido de avaliar qual é o problema e formas de aborda-lo.
Se considerarmos as mudanças na pessoa afetando os entes próximos, podemos prever pouca diferença na decisão de se fazer terapia individual ( a psicanálise ou terapia de orientação analítica ), terapia de casal / conjugal ou terapia familiar.
Por outro lado, alguns padrões de conduta são mantidos e reforçados pelo grupo (entenda-se família ou casal) e se este está empenhado em se modificar, então, o psicólogo e/ou a psicóloga auxilia a incrementar as possibilidades de consolidação das pequenas mudanças, obtendo-se expressiva resultante e, em alguns casos a terapia de casal ou terapia de família atua no sistema em menor tempo se comparado às tentativas isoladas de mudança.
Questão de difícil resolução é quanto a decisão de se fazer terapia familiar ou terapia de casal / conjugal. Isto ocorre pela rápida expansão das brigas e conflitos seja na família ou no casal. O desentendimento conjugal (do casal) pode rapidamente irradiar a forte dinâmica na família toda e colocar o matrimônio em risco dada a progressiva falta de intimidade e cumplicidade. Há divergências teóricas no seguinte sentido, há tanto a tendência de considerar os problemas apresentados pelos filhos e família em decorrências da dinâmica estabelecida pelo casal e, portanto, preferem atender diretamente o casal.
Há os preferem iniciar na terapia familiar e depois definem: terapia familiar ou terapia de casal (terapia conjugal ), esta tendência é interessante pois possibilita facilidade de inclusão futura da família no processo terapêutico, juntamente ao casal. Certamente alguns casos realmente parecem polarizados, o difícil é saber, sem conhecer a dinâmica familiar qual tratamento. Sobretudo sendo o pedido de auxilio geralmente coincidente a fase aguda de conflitos e brigas. Para o casal, geralmente, esta fase é acompanhada por acusações de traição (amante, concubinato), diminuição tanto do próprio do interesse sexual, tipicamente ocorre: ejaculação precoce, falta de lubrificação vaginal e/ou orgasmo, enfim falta de prazer sexual e de cumplicidade.
Em alguns outros casos se nota a manutenção da atividade sexual - forma automática - muito embora a afetividade esteja reduzida, desta o beijo e a sensualidade podem acabar muito antes da relação sexual em si.
É, portanto, difícil para o casal sair do problema sem um auxílio pois com o conflito, as brigas e os problemas sexuais se agravam.
"Eu num tô loco pá pricisá di terapia!!"
Psicólogos e psiquiatras raramente se deparam a figura do "louco" comumente referido ( doente dos nervos, nervoso, dedeu ). Os clientes típicos possuem problemas a serem resolvidos: ansiedades, tristezas, conflitos, crises, angústias, utilização de drogas, depressão, brigas familiares/conjugais, incertezas constantes, manias e outras particularidades que desejam lidar melhor.
Os textos psicológicos ressaltam algumas funções da terapia: conhecer melhor, auto-conhecimento, mudar, refletir, ajudar a pensar, adequar, segurança de optar, aceitar e reconhecer-se.
Os problemas, conflitos, angústias e características pessoais levam as pessoas à terapia são atribuídos, pelos próprios pacientes à sua extrema sensibilidade e capacidade perceptiva das situações, sobretudo a queixa de ansiedade, vazio, opressão, desânimo, preocupação, irritação, raiva etc. Na Psicologia os processos terapêuticos auxiliam a elaboração possibilidades e consequentemente de menores preocupações, raiva, irritabiliade, desgrado, opressão, desânimo e sobretudo menor ansiedade e solidão. O principal é a modificação dos modos "automáticos" de vida, superar crises e terem coragem de mudar.
A psicologia e a terapia familiar na separação com filhos / os filhos durante a separação litigiosa ou divórcio litigioso
Os laços conjugais possuem facetas resistentes às mudanças e antes da separação os filhos presenciam incontáveis brigas do casal e após a separação (quando é separação litigiosa piora) os pais tendem a seduzi-los, superprotege-los ou abandona-los. Geralmente os pais reconhecem a ineficiência de tais medidas, mas estão presos a um ciclo vicioso e, devido a própria separação, sem forças de adotar outras medidas. Infelizmente nos processos problemáticos as crianças viram extensão das brigas conjugais na separação litigisa, os filhos viram armas contra o outro, nestes casos as crianças deverão ser preservadas e para tal a terapia de família, em alguns casos com os subgrupos mostra-se muito útil.
O conflito conjugal ou da separação em si são processos nefastos, mas pior é a desconfirmação das percepções da criança as deixa ansiosas, esta assiste - de camarote - a briga conjugal e depois escuta: vai dormir. Assim a psicologia auxilia, independentemente da possibilidade de separação os pais, as formas para comunicar aos filhos os acontecimentos e procurarem ajuda e meios de cessarem os conflitos. Quando o casal, em meio as brigas e conflitos, tem a capacidade de pedir ajuda já é um grande passo positivo. Numa música tem a frase "o silêncio grita" e desta forma colocamos o problema da imaginação da criança: a imaginação é o reduto do insuportável.
Neste sentido a imaginação da criança a faz sofrer e as conversas conferem calma e tranqüilidade.
É mais fácil confiar e tranquilizar-se num ambiente de respeito ao direito de saber os acontecimentos, e tendo a segurança de continuidade e cuidados paternos, independentemente do desdobramento (reconciliação, separação e/ou divórcio) irão cuida-la e ama-la.
Condição básica da terapia familiar > Limites ou relação pais - filhos
Ao ouvir algo relacionado ao tema de limites penso em: "não se pode dar aquilo que não se tem." Esta posição é radical, mas auxilia a pensar a circularidade ou a multicausalidade na manutenção deste problema tão comum e comentado "limites", muito comum é a cena da criança ao se jogar no chão da loja coloca os pais em pânico. Geralmente problemas de limites evoluem, transformado e intensificados durante o crescimento dos filhos, podem chega a pontos onde a família e/ou o casal destituído de energia fica impossibilitado de atuar de forma diferenciada. Um duplo problema de jovens poderosos e adultos enfraquecidos.
As pesquisas psicológicas demonstram as buscas das crianças de coerência e são astutas observadoras elas aprendem rapidamente novas formas de lidar a ausência de regras claras e portanto a impossibilidade dos cuidadores em conferir os limites. Considero importante a reflexão quanto nossas ações e condições pessoais de lidar os limites, antes de sair aplicando fórmulas e receitas nos filhos, sobretudo se forem bebês ou crianças (certamente, sem descartar os jovens entrando na adolescência e os próprios adolescentes).
No passado havia poucas regras e eram variantes da palmada e obedeça ou ...!! Alguns efusivos partiam à surrar. Enquanto outros perdiam a cabeça e espancavam. Então, gostaria de claro: a palmada está longe de ser educação. A criança pode até parecer pedir, mas cabe ao adulto discernir, optar e driblar a situação mediante o uso de outras técnicas.
A violência da criança como decorrência da falta de delimitações e possibilidade de comunicação e um problema a enfrentar de forma contundente e emocional. A idéia de limites é, também, reconhecer o outro, desta forma a ausência de limites implica na impossibilidade de reconhecimento pela criança do outro como pessoa ou ser vivo. O enfrentamento da raiva do filho ou da criança com uma raiva autêntica, facilita o reconhecimento pela criança da autenticidade do sentimento do outro: amor,
tristeza, raiva, ... (baseado em Winnicott, 1958)
Esta idéia do psicólogo Winnicott é bem interessante, ele pois os cuidadores devem cuidar sem se furtarem ou dissimularem e muito menos em bater na criança. Winnicott coloca aos cuidadores, quanto suas possibilidades de demonstração, em suas ações, de: afeto, carinho, amor, raiva, ódio, tristeza, desapontamento, alegria, etc. No texto acima "raiva autêntica" é raiva e dista do espancamento ou palmadas. Será o bater a única forma de expressão da raiva?
Os limites são criados pelas condições de qualidade das relações e difere de ordens de comportamento. Ensinar limites vai além do ensino de regras sociais, a criança aprende, também, emoções, possibilidades, alternativas, negociação, conciliação, coerência, denominações possíveis, autenticidade, etc.
Drogadicção - Usuários de drogas e a família e vizinhos
As drogas sempre estiveram presentes, em diferentes épocas, em diferentes civilizações, suas utilizações e conseqüências eram e ainda são variadas. Adicto ou adicção à droga significa entre outras coisas um estado de submissão, ausência de controle da vontade de consumo e baixa consciência quanto ao ato e das conseqüências pessoais e sociais do uso da droga.
O uso moderado de drogas é geralmente aceito e, paradoxalmente, até estimulado por várias camadas sociais. A família é a primeira a sentir os efeitos deletérios do uso de qualquer tipo de droga, embora possa se fazer a distinção dos efeitos físico-químicos do álcool, maconha, anfetamina, cocaína, ecstasy, ácido lisérgico (lsd) etc. A terapia seja individual ou familiar deve
constar de um programa integrado e associado a outras intervenções, pois a drogadicção é um tema complexo e demanda um trabalho multidisciplinar, pois seus efeitos são, no mínimo: físico-químicos, relacionais e financeiros.
A adicção à drogas pode ocorrem em qualquer idade. Certamente ao saber de jovens ou adolescentes adictos há grande preocupação e perplexidade, em adultos adictos a mesma preocupação e assistência é necessária, pois de alguma forma estão impossibilitados de optar. As decorrências do uso de drogas se expandem pela comunidade e geralmente estão associadas a problemas de violência e financeiros.
A drogadicção é comumente tida na fase inicial por um problema individual, mas gera rapidamente seqüelas em todo o entorno do usuário.
Para a psicologia o tratamento do usuário e a transformação do sistema familiar via terapia familiar ou terapia de casal é demorada e permeada por diversas recaídas, estas dificuldades são enfrentadas pelo real engajamento da família. Juntamente aos hábitos e tradições familiares as condições reais de existência constituem, também, um importante elemento a considerar.
No tratamento psicoterapêutico do adicto e sua família a idéia inicial é de propiciar a eles condições de outras interpretações da utilização da droga. A tendência de ruptura do adicto com a família é freqüente e geralmente agrava e posterga a resolução do problema e aumenta a preocupação familiar.
A terapia familiar em casos de doença crônica na família
Toda doença crônica, em qualquer membro da família, acarreta em mudanças em toda ela, seja na preocupação ao ente adoentado ou na resolução de problemas de ordem prática: trabalho, passeios, viagens e outros compromissos. Comumente os membros da família cedem as exigências do doente, deixam de usufruir de suas vidas e/ou evitam auxiliar nos cuidados necessários. A tensão familiar tende a elevar-se com discussões e brigas, dadas as contínuas frustrações, reprovações e culpas. De forma geral, quanto mais próximo o grau de parentesco maior será o impacto e a tendência dos familiares modificarem suas vidas em função de assistir ao doente.
A decorrência de se menosprezar os efeitos da doença crônica no seio da família é diversa e geralmente se torna visível na sua forma extremada, seja a intensa agregação familiar ou, seu inverso, a desagregação.
Fazer tudo pelo doente ou abandoná-lo constituem modos problemáticos e denotam uma falta de integração e possibilidade de discutir soluções alternativas conciliatórias, contemplam tanto o desenvolvimento familiar quanto a assistência ao doente. Tais medidas têm desdobramentos muito satisfatórios, sobretudo a respeito das comunicações entre os cuidadores, possibilidades de administrar a situação e, sobretudo, na capacidade de lidar num quadro de sofrimento continuado. Desta forma, um posicionamento mais adequado da família frente a doença e ao doente, propicia uma melhora no tratamento e, conseqüentemente, no quadro clínico.
A terapia familiar sistêmica é um processo terapêutico para desenvolvimento da família, auxiliando esta a quebrar mitos e crenças, muitas vezes profundamente arraigadas e totalmente inconscientes aos seus membros. Desta forma a terapia familiar pode auxiliar na diminuição da angústia e conflitos oriundos de quadros cronificados.
Parafraseando Oliver Sacks: não se deve perguntar que doença a família tem, mas que família a doença tem?
A terapia familiar sistêmica e a mediação nos processos de separação judicial
O processo de separação de um casal e a consequente ruptura familiar dolorosa e quando entra em litígio pode se tornar insuportável. Alguns aspectos só se tornam evidentes no ambiente terapêutico como a angústia e raiva por um terceiro interceder na tomada das resoluções da própria vida e os medos inconscientes de fracasso impossibilitam a separação. E, quando há filhos há uma agravamento das raivas pela simples impossibilidade de ruputura do contato. Nestes casos a terapia para melhoria destes aspectos se torna relevante e desejável. O sistema judiciário incluiu em suas práticas a inserção de alguns procedimentos como: a facilidade e incentivo para os acordos, a atenção psicossocial e a mediação na separação judicial. O rigor das vias judiciais acarretam uma certa morosidade já a mediação como via complementar tende a agilizar os processos, pois os acordos são levados prontos para homologação.
Entrevista sobre paternidade
Qual é o papel do pai de primeira viagem durante a gestação?
O papel é o mesmo de qualquer pai: amor, carinho, apoio e segurança. Existem muitos cursos preparatórios para os pais adquirem confiança e nestes as informações técnicas auxiliam a desenvolver confiança e tranquilidade para os momentos iniciais.
Com o primeiro filho os novos "papéis" pai/mãe demandam um tempo de acomodação e alguns cuidados para não se esquecerem dos "papéis" anteriores marido/mulher. Um dos desafios aos pais iniciantes é de se manterem presentes frente ao "turbilhão de ajudas e inseguranças", em muitas famílias os jovens pais não se sentem "prontos" para o novo "status" e tendem a se afastarem da situação que não conseguem compreender e/ou lidar. E, justamente nessa transição que o apoio das famílias e amigos se mostra fundamental: ajudar a fazer, difere de fazer por ele.
Após o parto a tendência é das mulheres tomarem conta de todas as atividades e, consequentemente, os homens ocuparem posições periféricas. A mudança desses papéis, culturalmente aceitos, demanda de muita perseverança e segurança por parte dos homens.
Como o pai pode iniciar um vínculo maior no momento do nascimento e nos primeiros meses de vida do filho?
Quando o pai está devidamente preparado ele se torna uma figura importante durante o parto, pois transmite segurança à sua companheira. E, durante o período de recuperação do parto ele pode desempenhar todos os cuidados com o bebê, bem como, amparar e auxiliar sua companheira.
O vínculo se inicia com a segurança/tranquilidade no desempenho das tarefas cotidianas do bebê e continua durante toda a vida. Recordo-me uma terapia de casal; o orgulho do pai ao descrever que trocou a primeira fralda de seu filho enquanto a mãe estava sedada, na recuperação do parto. Eles tinham algumas divergências, mas combinavam com os cuidados com os filhos. Portanto, o vínculo não se constrói no vazio, ele se consolida nas atividades cotidianas.
Certamente que, para os homens, adentrarem nesse reduto tipicamente feminino não é fácil, pois há uma "automática" exclusão deles nos cuidados com os bebês recém-nascidos. A tendência "natural" é dos envolvidos repetirem antigos e arraigados papéis, portanto a mudança demanda muito empenho por parte dos homens/pais. O caminho desta transição lembra ao trilhado pelas mulheres algumas décadas atrás, ao ensejarem ingressar no mercado de trabalho em profissões tipicamente masculinas: elas tinham de estar mais preparadas e confiantes, que os homens em tarefas similares.
E quando os pais não são casados. Qual é a melhor forma para o pai participar ativamente na vida do filho desde seu nascimento?
Casados são aqueles que possuem amor, cumplicidade e compartilham a vida.
A tua questão pode ser abordada por diversos âmbitos, ficarei com dois:
a) "não casados" se refere a ausência de uma formalidade cartorial e b) "não casados" a não convivência do pai e mãe sob o mesmo teto.
Destas duas situações se depreende que:
a) a falta de um documento ou de um registro não interfere quando há amor e cumplicidade.
b) a não convivência sob mesmo teto pode ser harmônica ou litigiosa?
Quando há litígio a lógica jurídica apregoa que a separação não deve destituir o poder familiar, na prática somente com bons advogados, assistentes sociais e magistrados que se pode evitar a segregação de um dos cuidadores, geralmente o pai. Me recordo que logo que saiu a Lei Maria da Penha um caso me chamou a atenção: a genitora, detentora da guarda provisória, se aproveitava enquanto o pai afivelava o cinto de segurança dos filhos, ela o beliscava dizia baixinho: "revida que estou "loca" por um BO (boletim de ocorrência)!" O pai gravou as situações e peticionou que as retiradas e entregas dos filhos fossem com parentes genitora. Pior que indeferida, a petição foi negligenciada e o judiciário não adotou nenhuma medida de proteção. Desamparado, com uma péssima assistência jurídica e sem saber como conter as manipulações da genitora, o pai se afastou. Hoje, passados alguns anos, a situação deste caso agravou e os filhos dizem: "papai foi embora, ele não nos ama!"
Quando há uma convivência harmônica, mesmo se separados, pai e mãe podem combinar os cuidados, a criança ganha duas casas para morar e sabe que pode contar com os dois. Um dos problemas que aparece com frequência é que frente a pequenos problemas alguns parentes acabam por potencializar o conflito/situação ao invés de auxiliar a dirimi-los. Portanto, a participação é possível quando há um "clima" de respeito.
Com as mudanças da sociedade, você acredita que os homens se libertaram da imagem de macho alfa, com isso assumindo mais responsabilidades como pai?
Há muitos anos que eu não escuto essa designação zoológica "macho alfa" até me faz lembrar do livro "Admirável Mundo Novo"!
Os antigos e arraigados papéis só podem ser modificados num movimento conjunto sujeito-sociedade. Só existe um "macho-alfa" se sujeito e sociedade considerarem a existência de tal "papel/lógica". Portanto, o sujeito só pode realizar um determinado conjunto de ações se a sociedade referendar, explicita ou implicitamente, tais "ações/lógicas".
A idéia básica para superação de um dado sistema valores num meio social humano deve incluir alguns elementos:
a) a supressão do imediatismo, ou seja, sair dos problemas emergenciais e tecerem, em conjunto, projetos futuros, nesse nosso tema seria: pai e mãe combinarem o futuro para os filhos;
b) manter a memória do passado, sejam bons ou maus momentos, com fotos, videos, artefatos etc, pois a supressão da memória tende a naturalizar os padrões que, justamente, devem ser modificados e
c) amigos e parentes que apóiem o novo papel/valor e nesse sentido que não estimulem qualquer lógica e/ou designações sectárias como "macho alfa beta epsilon ou zeta".
Como você analisa as diferenças de ser pai há 3 gerações atrás e ser pai nos dias atuais?
O problema da lembrança é que ela geralmente romanceia e enaltece determinados aspectos. Esta tua questão seria um belo trabalho de resgate histórico. Mesmo os avôs que vem para o consultório não constituem um bom parâmetro para elaborar a resposta, por dois motivos:
a) quem faz terapia deseja rever suas verdades e constituem uma pequena parcela da população e
b) trazem toda uma bagagem de conhecimentos destas últimas décadas que acumularam pequenas mudanças e, portanto, o pensamento original já está deturpado.
Eu poderia até divagar sobre a rigidez nos papéis, mas mesmo isso deveria ser lido com cuidado, pois seria "simplificar" a vida de nossos pais e avós e, de quebra, estaríamos inferindo a vida atual é mais "complexa".
Recordo-me de um texto de Foucault em que descreve inúmeras situações da vida familiar comparando esposas, filhos, escravos aos utensílios domésticos... e lá no meio ele colocou, propositalmente, uma carta de amor de um general romano à sua esposa. Um pequeno elemento que quebra a linearidade do que seria o nosso primeiro pensamento sobre a vida e nos mostra o quão difícil é um honesto resgate da paternidade de algumas décadas atrás.
Com a autonomia da mulher na sociedade, você acredita que o papel de pai acabou perdendo espaço dentro da estrutura familiar? Se sim, o que isso acarreta na sociedade?
Elementos desta última questão estão contidos nas respostas anteriores. Podemos pensar que mudou, mas para provocar a reflexão podemos dizer que o papel de pai foi ampliado. Quanto ao o que acarreta na sociedade, mesmo "se sim" ou "se não", penso que a sociedade humana, que tem na velocidade de transporte da informação uma de suas marcas atuais, está permitindo como sempre permitiu: "mudanças".
O teu termo zoológico me auxilia num devaneio pelas mudanças: ora mais lentas, ora mais rápidas. Se hoje temos características distintivas das demais sociedades com as quais compartilhamos este planeta, então podemos pensar que mudamos/adaptamos, quiçá mais rápidos, mas isso não implica dizer "melhor" ou "pior".
Quando comparamos os dados estatísticos de saúde, notamos que as mulheres estão fumando mais, bebendo mais e enfartando mais que algumas décadas atrás. Isso quer dizer o quê? A resposta fica difícil. No que você denomina "autonomia" pode estar contido um decalque de ganhos e perdas. No momento em que as mulheres assumem outros papéis, implica autorizar os homens experimentarem e modificarem. Só espero possam refletir e realçar hábitos mais saudáveis sejam eles dos mundos outrora tidos como masculino quanto feminino.
A terapia como oficina de alternativas
Para a psicologia o processo terapêutico nem sempre é uma prospecção de fatos profundos e obscuros é, também, a geração da possibilidade de um fazer diferenciado. Na terapia há um ambiente propício para a geração de outras alternativas, como uma oficina de educação em que se testam alternativas que são levadas para a dimensão cotidiana.
Arthur Müller - Psicólogo - Terapia Familiar, Terapia de Casal, Psicoterapia Individual - Consultório de Psicologia Clínica em Florianópolis.
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