Sob as mais diversas justificativas as drogas psicoativas estão disseminadas em todas as sociedades e o mais interessante é que algumas delas, como o café e o açúcar, tem seus usos tão amplamente difundidos que passam despercebidas ou são tidas como inócuas.
A cafeína (grupo das xantinas) é um estimulante que causa dependência física e psíquica e está de tal forma arraigada na sociedade que, por exemplo, é oferecida em "refrigerantes" às criancinhas ou mamadeiras contento café com leite para os bebês das creches.
A ingestão da cafeína deve, a exemplo de qualquer outra droga psicoativa, ser evitada ou pelo menos ter seu uso moderado.
No “Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV” consta:
"O aspecto essencial é uma síndrome característica de abstinência devido à cessação ou redução abrupta no uso de produtos contendo cafeína após um uso diário prolongado. A síndrome inclui cefaléia e pelo menos um dos seguintes sintomas: acentuada fadiga e sonolência, acentuada ansiedade ou depressão, náusea ou vômitos. Esses sintomas parecem ser mais prevalentes em indivíduos com uso pesado (500mg/dia), mas podem ocorrer em indivíduos com uso leve (100mg/dia). Os sintomas podem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. Os sintomas não devem ser decorrentes dos efeitos fisiológicos diretos de uma condição médica geral, nem devem ser melhor explicados por outro transtorno mental."
Para se ter uma idéia 100 mL de café coado contem cerca de 60 mg de cafeína e 100 mL de café expresso contem cerca de 200 mg. O emprego da terminologia leve/pesado deve ser utilizada somente na descrição geral do problema, pois, como é de amplo conhecimento, as reações e suscetibilidades individuais apresentam grande variação, mesmo dentre os entes de uma mesma família.
As tentativas de reduzir ou cessar o uso da cafeína geram desconfortos, os sintomas da abstinência costumam aparecer após 12h da última ingesta e podem perdurar por até uma semana, que resumidamente são:
a) dor de cabeça,
b) indisposição,
c) dificuldade de manter a atenção,
d) alteração de humor (geralmente irritabilidade)
e) sonolência & fadiga,
f) constipação,
g) náusea (em alguns casos vômitos) e
h) forte anseio por cafeína.
O melhor é reduzir progressivamente a dose diária de cafeína e após algumas semanas alternar os dias de consumo (num dia cafeína no outro não). Para aqueles que desejam cessar o uso/consumo da cafeína uma boa prática é reduzir progressivamente o consumo e programar a última dose numa sexta-feira de manhã. Desta forma o sábado e o domingo podem ser utilizados para repouso, pois os sintomas de abstinência a cafeína atingem o pico máximo entre 24 e 48 horas após a última dose.
É interessante notar que o corpo necessita de muitos meses para “desmontar” toda a estrutura criada para absorver a droga. Portanto, após ter conseguido parar, qualquer cafeína ingerida (incluso chás, refrigerantes etc.) o corpo irá considerar como um aviso para manter a “estrutura montada”, o que pode ser traduzido numa facilidade para recaídas e novos períodos de adicção.
No processo de controle sobre uma droga socialmente aclamada, que remete a hábitos ternos e situações prazerosas, o conhecimento das fontes de angústias e frustrações se torna fundamental, pois o melhor aliado que o sujeito pode ter é sua força de vontade e sua coragem para mudar.