Espaço Paciente

Terapia familiar, casal e individual - Consultorio Florianopolis

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If you need googol to exist, then you can`t see the live.
j.p.p. 2008

...o caminho se faz caminhando!
Como é possível que nós, no processo de fazer o caminho,
estejamos conscientes sobre nosso próprio processo de fazer o caminho,
e possamos deixá-lo claro a quem nos vai ler.
[...] para começar, é preciso começar
Paulo Freire

" Mais uma vitória como essa e eu estou perdido!"
Nem me lembro mais a primeira vez que ouvi essa frase,
ela ecoava pelos auditórios do Largo São Francisco.
Agora eu vivo num deserto, que meu amado Direito ajudou a produzir!
Até há pouco achava que produziria paz e agora vejo as seqüelas em meus filhos,
meros troféus duma pirríca vitória.
Como dói tirar a venda,
como dói saber que ela continua cega no campo de batalha!
p.c.f. 2008

Caminho
Caminante, son tus huellas el camino y nada más; 
Caminante, no hay camino, se hace camino al andar. 
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás se ve la senda 
que nunca se ha de volver a pisar. 
Caminante no hay camino 
sino estelas en la mar. 
Machado, Antonio. Poesías completas. Madri: Calpe 1973 “Proverbios y cantares”.

Ditos
Existem muitas ditos populares que, 
por serem tão aparentemente verdadeiros e bonitos, 
acabam por obscurecer a real possibilidade de se refletir
para além das aparências, da situação posta. 
n.m.s. 2008

Poeminha do Contra 
Todos esses que aí estão 
Atravancando meu caminho, 
Eles passarão... 
Eu passarinho!
Mário Quintana (quando rejeitado para entrar para a Academia Brasileira de Letras) Vamos passarinhar!
p.n.s.a. 2008

Conflitode gerações - dos porões da net!
Para falar sobre a eterna repetição dos problemas nos conflitos entre as gerações, um médico inglês começou sua conferência citando quatro frases:
 
1) "Nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, caçoa da autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem a seus pais e são simplesmente maus."
 
2) "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque essa juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível.
 
3) "Nosso mundo atingiu seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."
 
4) "Essa juventude está estragada até o fundo do coração. Os jovens são malfeitores e preguiçosos. Eles jamais serão como a juventude de antigamente. A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."
 
Após ter lido as quatro citações, conversou um pouco com a platéia e comentou o quão satisfeito estava com a concordância de todos. Então, revelou a origem delas:

1) A primeira é de Sócrates aprox. 420 a.C .,
2) A segunda é de Hesíodo, 720 a.C.,
3) A terceira é de um sacerdote aprox. do ano 2000 a.C. e
4) A quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia (Atual Bagdá) e tem mais de 4000 anos.
b.h.n. 2007

altares I
quantos silêncios gritam os perplexos
quantas batidas solidificam as solidões
quantos tempos liquefazem os vidros
quantas rolagens aliteram os sisifistas
quantos lapsos torpem as heroínas


saber-sabor
Era uma vez uma muito bela, inteligente e corajosa formiguinha que saiu numa caminhada em busca de seu grande amor que estava num reino muito, muito distante. Um amor que ainda não era amor era paixão, mas ela não sabia. E, movida por aquilo que todos mais a admiravam e a invejavam, a coragem de se lançar e de fazer coisas impossíveis, como ajudar as formiguinhas indefesas, lutar contra agressores e vilões, e, também, coisas legais como reunir os amigos nas aventuras mais inesperadas e que sempre tinha um tempinho para uma conversa com o saber e o sabor de um bom funghi com vinho. Lá se foi ela...

Nesta terra distante, longe da segurança de seu formigueiro, ela se viu indefesa e desamparada, pois não sabia como agir e como fazer aquilo que mais sabia fazer: ajudar os outros. Em seu formigueiro natal mesmo ela não tendo nada, o seu jeito amistoso tinha multiplicado suas riquezas, contava com mais de mil palácios e mais de mil cantinhos, mas ela não sabia. De fato, em todos os cantinhos do seu reino ela era bem-vinda e eles eram como se fossem seus. Agora ela só tinha um cantinho, meia cama, mas sua grande vontade de ajudar os outros continuava. Ela até ajudou um aqui e outro acolá, mas as formigas deste lugar eram muito estranhas e logo se escondiam. Ali não tinham somente formigas estranhas, havia muitas outras coisas esquisitas como os torrões de açúcar, que não tinha no reino dela, onde só cultivavam funghis. Os torrões são objetos mágicos que exercem uma inebriante atração, sabor adocicado e de tão abundantes ficavam fáceis de pegar e carregar. As formigas dali usavam estes torrões para tudo, comer, vestir, morar, limpar, ter passear... suas vidas eram esses torrões.
 
A nossa heroína pegou sua coragem, enxugou as lágrimas e foi à luta. Passou a pensar que tudo que vivera estivesse errado e que a verdadeira vida seria aquela, se juntou as demais formiguinhas e passou a coletar torrões, muitos torrões. Em pouco tempo, a nossa heroína entorpecida pelos torrões, se esqueceu de seus mil cantinhos e passava o dia a ajudar o seu grande amor a construir um barco, pois ele queria conhecer todos os outros reinos. Na verdade o sonho do barco, de conhecer outros reinos distantes e de viver uma outra vida, não era só dele e agora dela, era um sonho de muitas outras formiguinhas deste reino, pois elas queriam conhecer tudo sem conhecer nada, ter uma outra vida sem ter um verdadeiro contato com nada, como um viver sem-viver, pois estavam sempre longe e perto. Das coisas estranhas longe-perto é talvez a coisa estranha mais estranha destas formiguinhas, elas querem ir para reinos distantes para ficar perto das outras formiguinhas, mas se mantêm longe da verdadeira vida: longe-perto das dificuldades, longe-perto da intimidade, longe-perto da possibilidade de verdadeiramente ajudar e até longe-perto dos torrões de açúcar. Quando ficavam muito preocupadas com algum outro reino não iam lá saber o que precisavam e logo tratavam de enviar alguns torrões de açúcar. Enfim, todas as formiguinhas deste paradisíaco reino açucarado sonhavam em um dia ter um dia um verdadeiro-superficial relacionamento com a vida.

Aos poucos ela foi notando que seu companheiro a queria por perto somente para suportar as dificuldades e solidão deste jeito longe-perto e ele não conseguia ver o quanto de amparo sua forte formiguinha precisava. Pela primeira vez em sua vida a nossa heroína viu o quão frágil era, se sentia só, sem saber como agir. Queria um abraço, mas as formiguinhas de lá só sabiam apertar as mãos, ela queria chorar, mas as formiguinhas de lá ficavam preocupadas que as lágrimas dissolvem os torrões de açúcar. E, assim o tempo foi passando e os dois de tão ocupados carregando açúcar, não sabiam mais olhar um para o outro. Nossa corajosa formiguinha descobriu neste mundo tão, tão distante e completamente diferente, que o amor é uma difícil construção e a paixão é como uma cola que ajuda a unir as lascas e trincas do relacionamento. A cola esvaziou e as trincas aumentaram... A nossa heroína sem saber o que fazer decidiu fazer o que todos por ali faziam, ficar longe-perto de sua grande paixão. Afinal ela ainda estava maravilhada por este reino e entorpecida pela facilidade de pegar os torrões. Algumas vezes seu espírito de coragem e luta se manifestava e a impelia para uma salutar procura por um outro sabor. Nos dias que ela ficava convicta que não poderia haver somente torrões neste maravilhoso reino, ela reunia forças suficientes para procurar por algo mais parecido com sua terra natal. Outros dias ela simplesmente justificava sua permanência, uma vez que já estava tão longe e em terras desconhecidas...

Ela continuou procurando, procurando, procurando... o tempo foi passando, até que ela percebeu não saber mais o que estava procurando. Estava viciada com a facilidade de pegar os torrões e com medo de voltar para seu antigo reino, para o cultivo dos funghis. Em pouco tempo apareceram os que se aproveitar de seus torrões e, também, de sua coragem e se ofereceram para casar com ela. Diziam, se nos casarmos você poderá ficar aqui como uma de nós e assim coletar mais torrões e mais torrões, depois nos separamos e você poderá ir para bem longe e conhecer outros sabores. Nossa heroína que em seu reino achava mil soluções para todos, acabou achando o que diziam para ela era a única saída, mas quando ouvia essas ofertas de casamento, lá no fundinho, ela não pensava só nos torrões, queria um formigo que lhe fizesse feliz novamente. Talvez por estar entorpecida pelas facilidades dos torrões ou talvez por estar tão só... não importa pela primeira vez em sua vida ela quis algo do jeito fácil e usou seus torrões para comprar o que julgava ter perdido de mais valioso: "a sua velha vida". Com o primeiro não deu certo, pois ele só queria a coragem dela, com o segundo também não deu certo, pois só queria conhecer longe-perto o reino de onde ela veio e assim foram passando vários formigos, gastou muitos torrões e não encontrou um que realmente lhe desse o que procurava. Talvez até por ela não saber o que procurava. Algo os assustava talvez seu jeito expansivo e corajoso ou seria sua vontade de achar outras coisas que torrões de açúcar, enfim... ela estava novamente só! 

Para ela esta era a situação mais estranha de sua vida, até que começou a pensar: como a união com um formigo desconhecido poderá mudar a minha relação com as outras formigas? Será que tem uma mágica que após o casamento elas irão mudar? Ou será eu que irei mudar? Será que é bom ser uma delas? E, este reino será que... Diante de tantas recusas e questionamentos algo mudou, ela só conseguia sonhar com seu antigo reino e o sonho virava pesadelo, o reino ficava inundado por torrões de açúcar, ela acordava assustada! 
Mas ela ainda queria achar algo...
Algo fizesse sentido ter ido tão longe...
De tão preocupada em procurar, achar, carregar, de estar longe, de estar perto, de ser em estar, de estar sem ser, que nossa heroína não sabia mais o que fazer. Nesta impossibilidade de discernir outros sabores, voltava a sonhar com seus mil aconchegantes cantinhos. Sonhava com uma época que tinha tudo sem ter nada, com seu reino de outrora, que só lá vivendo podia se saber de como no final do dia, o cansaço de ter cultivado os funghis os tornam mais saborosos, mesmo que só se tivesse uma gotinha de vinho para acompanhar.
Muito tempo se passou e num belo dia a formiguinha encontrou um formigo que lhe agradou. Algo mudou, pois ela estava novamente encantada, algo que já tinha sentido há muito e muito tempo atrás. Era um formigo diferente que lhe dedicava muita atenção. A princípio a formiguinha ficou espantada com tudo que estava lhe acontecendo, mas depois ela notou que algo esta diferente com ela. Num dia em que ela prestava menos atenção aos torrões de açúcar a formiguinha disse para si mesma: "não importa onde eu esteja, não importa o quão diferente seja este reino do meu reino, eu posso viver aqui ou acolá, mas eu tenho que viver em paz comigo mesma, eu tenho de me encontrar, pois a vida é mais que torrões de açúcar". E, parece que nossa heroína achou o mais valioso dos torrões... ela acha que achou a si mesma!
b.s.e. 2007

Vagando
Vou ao morro e vejo pessoas vivendo, comprando e cheirando. Vou ao shopping e vejo cheirosas pessoas vivendo, comprando e cheirando. Alguns buscam objetos e outros meditação, todos querem expressar o seu verdadeiro eu. Vamos branquinhos cheirosos, vamos meditar. Inspire, expire, inspire, expire... sempre pela barriga... não muito fundo... tem muito pó no ar! Objetos ou meditação espaços e tempos que se transfiguram em formas e buscas. E, no final o que restará? Será que só despindo o que achamos ser o nosso eu, é que nos tornarmos indivíduos! O caminho da individuação passa pelo desprendimento de todas estas coisas que achamos que são importantes? Será que depois, tudo que existe só será pensamento, idéias tolas que simplesmente passaram! Então essa tal de estratégia de fuga começa a parecer só mais uma em meio a tantas, só que, ao fugirmos demonstramos o quão sujeitados somos. Não, não... não quero ser um fujão. E, como não fugir?


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