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Filhos e limites A primeira idéia que me ocorre ao ouvir algo relacionado ao tema de
limites é: "não se pode dar aquilo que não se tem." Uma
posição radical que auxilia a refletir sobre a não
unilateralidade deste problema tão comum, ou seja, se o filho está sem
limites pode ser que os cuidadores estejam impossibilitados de
limita-lo. Geralmente os problemas de limites que chegam à terapia
familiar estão associados a outras
faltas e demandam uma atenção cuidadosa para que não se transforme e intensifique.
A violência da criança deve ser enfrentada de uma maneira contundente e emocional. Caso contrário a criança não se dará conta de que o outro também está vivo. Pois se a raiva da criança não for enfrentada por uma raiva autêntica, a criança virá a crer que tampouco o amor do outro seja autêntico (Winnicott, 1958) . Esta idéia de Winnicott é bem interessante, ele não está inferindo que os cuidadores devam se furtar ou fingir que nada é nada e muito menos em bater na criança. Winnicott está colocando sobre a possibilidade que os cuidadores têm de demonstrar em suas ações: afeto, carinho, amor, raiva, ódio, tristeza, desapontamento, alegria, etc. Na passagem acima "raiva autêntica" é apenas raiva. Será que só batendo é que se pode expressar a raiva? Os limites são criados pelos modos e nuanças das relações e não só nas ordens explicitas de comportamento. Ensinar limites é mais que ensinar regras de comportamento social, é, também, ensinar: emoções, possibilidades, alternativas, negociação, coerência, denominações possíveis, autenticidade, etc. Referências bibliográficasWINNICOTT, D.W. Hate in the countertransference, 1958. In: OMER, Haim. Autoridade sem violência: o resgate da voz dos pais. Belo Horizonte: ArteSã, 2002. ZAGURY, Tania. Limites sem trauma. 62 ed., Rio de Janeiro: Record, 2004. |
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